A Varíola dos Macacos é uma doença viral transmitida aos seres humanos a partir de animais, considerada uma zoonose, causada pelo vírus monkeypox, do gênero Orthopoxvirus pertencente à família Poxviridae. As duas cepas identificadas são oriundas da África Central e da África Ocidental.</p>
Transmissão
A via de transmissão ocorre pelo contato próximo e de longa duração com fluidos e secreções das vias respiratórias ou via lesões em pele da pessoa infectada. A transmissão através do contato com gotículas respiratórias requer um contato mais próximo com o paciente infectado, sendo o maior risco para trabalhadores da saúde, familiares próximos e parceiros íntimos. Ocorre, ainda, de forma congênita através da placenta durante a gravidez. A transmissão poderá ocorrer desde o início do aparecimento dos sintomas e até a cicatrização e reepitelização total das lesões de pele.
O período de incubação do vírus e o aparecimento dos sintomas geralmente varia entre 06 e 21 dias.
Os principais sintomas são: desconforto leve, linfadenopatia, febre, dor de cabeça, dor muscular, calafrios e cansaço, que podem durar entre 2 e 4 semanas. Dor associada a máculas que evoluem para pápulas, vesículas, bolhas e, por fim, lesões crostosas são achados clínicos comuns. Estas erupções geralmente se iniciam na face, espalhando para outras partes do corpo como palmas das mãos e solas dos pés.
Manifestações Bucais
A mucosa bucal pode ser acometida antes das manifestações cutâneas em aproximadamente 23% dos casos. Apresentam-se como máculas ou vesículas que poderão coalescer, formando uma única lesão ulcerada, dificultando a alimentação do paciente.
Desta forma, o cirurgião-dentista poderá ser o primeiro profissional da saúde à identificar durante a sua prática clínica a evidência da infecção pelo vírus monkeypox. Sendo, mais do que nunca, imprescindível a realização de uma completa anamnese e exame clínico, incluindo a identificação da linfadenopatia e a pesquisa criteriosa por sinais intraorais da presença de qualquer lesão.
Para confirmação do diagnóstico é necessária a solicitação de exame laboratorial para detecção do vírus por reação em cadeia da polimerase (PCR) em tempo real, através da coleta de material das lesões cutâneas ou de mucosa com um swab apropriado e estéril. Este swab é armazenado em tubo seco, não sendo necessária a colocação de qualquer tipo de conservante. Em fase tardia, a coleta poderá ser feita nas lesões crostosas. Imediatamente após a suspeita ou confirmação da doença orienta-se o isolamento do paciente durante 3 semanas evitando o contato com pessoas imunossuprimidas, grávidas e crianças menores de 12 anos.
Vacina
A OMS recomenda a vacinação contra a varíola para grupos prioritários, incluindo profissionais de saúde em risco, equipes de laboratório que atuam com ortopoxvírus, especialistas em análises clínicas que realizam diagnóstico para a doença, pessoas que tiveram contato com casos confirmados, além daqueles com múltiplos parceiros sexuais.
Tratamento
Ainda não existe disponível um tratamento medicamentoso específico para os casos de monkeypox. Portanto, deverão ser instituídas medidas clínicas para manejo da dor, orientação quanto aos cuidados de higiene da área afetada e manutenção da hidratação. Em casos graves com comprometimento pulmonar poderá ser necessária a suplementação de oxigênio.
Na maioria dos casos, os pacientes infectados irão apresentar uma doença leve, evoluindo para a cura em algumas semanas. Porém, dependendo do tipo do vírus e das condições sistêmicas do paciente, alguns casos podem resultar em óbito.
Como diagnóstico diferencial das lesões pela infecção por monkeypox devemos considerar as seguintes doenças: herpes zoster, varicela zoster, herpes simples, sífilis primária ou secundária, infecções bacterianas de pele, reações alérgicas e quaisquer outras doenças que causem erupção cutânea em forma de pápulas ou vesículas. Esta infecção poderá ocorrer de forma concomitante com outras doenças, portanto, mesmo que o paciente tenha resultado laboratorial positivo para outra doença, é necessário investigar a presença da infecção pelo monkeypox na presença de lesões bucais ou cutâneas características.
Os casos confirmados deverão ser notificados imediatamente através do sistema Redcap através do link: https://redcap.saude.gov.br/surveys/?s=ER7Y39373K
Fontes:
1 Plano de Contingência Nacional para Monkeypox - Centro de Operações de Emergência em Saúde Pública: COE Monkeypox. Publicado em 09/08/2022.
2 Organização Pan-Americana da Saúde
- Lakshman Samaranayake, Sukumaran Anil, The Monkeypox Outbreak and Implications for Dental Practice, International Dental Journal, 2022